segunda-feira, 23 de março de 2026

3º dia de formação: Linguagem do Cinema na Alfabetização de jovens, adultos e idosos

 Na noite chuvosa de 20/03/2025, ocorreu o 3º dia de formação inicial para educadores/alfabetizadores de jovens e adultos do Projeto de Extensão da UnB, coordenado pelo professor Dr. Erlando da Silva Rêses, em parceria entre o Cepafre e a UnB/DEX/FE.

Às 19h20, o grupo realizou um lanche coletivo. Em seguida, ouviram o rap “Filhos da Revolução” (considerado o hino do Cepafre), de autoria de Donizethe Batista Marques.

Posteriormente, destacou-se a importância de acompanhar o Cepafre nas redes sociais: Facebook e Instagram, bem como de seguir as orientações do curso no grupo de WhatsApp.



Madalena Tôrres começou perguntando o que compreenderam sobre a leitura do Capítulo IV - A linguagem do cinema na Alfabetização de Jovens, Adultos e Idosos. As educadoras foram identificando a linguagem do cinema, com base no projeto do ano passado realizado nas turmas, como a recepção fílmica dos alfabetizandos e dos alfabetizadores, observando as seguintes questões: imagem, tempo, movimento, luz, sombra, som, trilha sonora, gênero, temas geradores apresentados pelo próprio filme e, como afirma Tôrres (2018, p.168), “todas as percepções e emoções dela decorridas”. Foi debatido o conceito de “fruição” como percepção de como cada expectador interpreta o filme, por isso sempre vem a pergunta após o filme: o que você achou do filme?

Pedro Lacerda trouxe três curtas, dois de publicidade oficial produzidos pelos governos militares (1964-1985) com um enfoque ufanista sobre a história de Ceilândia. Nestes dois documentários enfatiza-se que a cidade estava perfeita, pois já havia urbanização e sua criação era quase uma epopeia. Não se fala que toda a transferência dos moradores para cá fazia parte de uma política higienista, de “limpeza” das cidades nobres, já que, para eles, os pobres eram “sujeira”.

O terceiro curta é uma produção da TV Fato, que traz o depoimento de 4 entrevistados: Madalena Tôrres (participante do Cepafre e do Movimento Popular por uma Ceilândia Melhor – Mopocem), Milza Guide (advogada do Movimento dos Incansáveis Moradores de Ceilândia), Romilson Nascimento (estilista de Ceilândia) e Viridiano Custódio de Brito (representante da Associação Comunitária de Expansão do Setor “O” - ACESO).

Pedro solicitou perguntou aos participantes da formação qual a fruição que os filmes provocavam e que os comparassem, principalmente no que se refere ao gênero adotado, tipo de abordagem, a linguagem utilizada, participação dos personagens, imagem.

Por fim, pediu para que dissessem como vêm a história da Ceilândia do que era no começo da transferência ao que é hoje? Temos um saldo positivo ou negativo?

Madalena Tôrres, uma das organizadoras do Caderno “Alfabetizar é libertar”, participou com ponderações e esclarecimentos ao longo da atividade sobre a linguagem do cinema, trazendo para reflexão, o filósofo italiano Pier Paolo Pasolini, nascido em 5/3/1822 e falecido em 2/11/1975, que concebe o cinema como “a língua da realidade” e o autor Ismail Xavier com a obra “A experiência do Cinema” (1993). O livro é uma referência na teoria do cinema, reunindo textos produzidos entre 1916 e 1980. Uma edição amplamente divulgada e atualizada foi lançada pela editora Paz e Terra em 2018.

Ao final, Madalena propôs uma avaliação do encontro e o grupo expressou, de forma positiva, sua percepção sobre a aprendizagem da temática linguagem do cinema, até mesmo, rememorada na experiência do projeto realizado no ano passado nas turmas de alfabetização.

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