Na noite chuvosa de 20/03/2025, ocorreu o 3º dia de formação
inicial para educadores/alfabetizadores de jovens e adultos do Projeto de
Extensão da UnB, coordenado pelo professor Dr. Erlando da Silva Rêses, em
parceria entre o Cepafre e a UnB/DEX/FE.
Às 19h20, o grupo realizou um lanche coletivo. Em seguida,
ouviram o rap “Filhos da Revolução” (considerado o hino do Cepafre), de autoria
de Donizethe Batista Marques.
Posteriormente, destacou-se a importância de acompanhar o
Cepafre nas redes sociais: Facebook e Instagram, bem como de seguir as
orientações do curso no grupo de WhatsApp.
Madalena Tôrres começou perguntando o que compreenderam
sobre a leitura do Capítulo IV - A linguagem do cinema na Alfabetização de
Jovens, Adultos e Idosos. As educadoras foram identificando a linguagem do
cinema, com base no projeto do ano passado realizado nas turmas, como a
recepção fílmica dos alfabetizandos e dos alfabetizadores, observando as
seguintes questões: imagem, tempo, movimento, luz, sombra, som, trilha sonora,
gênero, temas geradores apresentados pelo próprio filme e, como afirma Tôrres (2018,
p.168), “todas as percepções e emoções dela decorridas”. Foi debatido o
conceito de “fruição” como percepção de como cada expectador interpreta o
filme, por isso sempre vem a pergunta após o filme: o que você achou do filme?
Pedro Lacerda trouxe três curtas, dois de publicidade
oficial produzidos pelos governos militares (1964-1985) com um enfoque ufanista
sobre a história de Ceilândia. Nestes dois documentários enfatiza-se que a
cidade estava perfeita, pois já havia urbanização e sua criação era quase uma
epopeia. Não se fala que toda a transferência dos moradores para cá fazia parte
de uma política higienista, de “limpeza” das cidades nobres, já que, para eles,
os pobres eram “sujeira”.
O terceiro curta é uma produção da TV Fato, que traz o
depoimento de 4 entrevistados: Madalena Tôrres (participante do Cepafre e do
Movimento Popular por uma Ceilândia Melhor – Mopocem), Milza Guide (advogada do
Movimento dos Incansáveis Moradores de Ceilândia), Romilson Nascimento
(estilista de Ceilândia) e Viridiano Custódio de Brito (representante da
Associação Comunitária de Expansão do Setor “O” - ACESO).
Pedro solicitou perguntou aos participantes da formação qual
a fruição que os filmes provocavam e que os comparassem, principalmente no que
se refere ao gênero adotado, tipo de abordagem, a linguagem utilizada,
participação dos personagens, imagem.
Por fim, pediu para que dissessem como vêm a história da
Ceilândia do que era no começo da transferência ao que é hoje? Temos um saldo
positivo ou negativo?
Madalena Tôrres, uma das organizadoras do Caderno
“Alfabetizar é libertar”, participou com ponderações e esclarecimentos ao longo
da atividade sobre a linguagem do cinema, trazendo para reflexão, o filósofo
italiano Pier Paolo Pasolini, nascido em 5/3/1822 e falecido em 2/11/1975, que
concebe o cinema como “a língua da realidade” e o autor Ismail Xavier com a
obra “A experiência do Cinema” (1993). O livro é uma referência na teoria do
cinema, reunindo textos produzidos entre 1916 e 1980. Uma edição amplamente
divulgada e atualizada foi lançada pela editora Paz e Terra em 2018.
Ao final, Madalena propôs uma avaliação do encontro e o
grupo expressou, de forma positiva, sua percepção sobre a aprendizagem da
temática linguagem do cinema, até mesmo, rememorada na experiência do projeto
realizado no ano passado nas turmas de alfabetização.