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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Centro de Cultura e Educação Popular Paulo Freire de Ceilândia - CEPAFRE




Breve histórico do Cepafre

O Centro de Cultura e Educação Popular Paulo Freire de Ceilândia (CEPAFRE) foi fundado em 2 de setembro de 1989 como uma associação sem fins lucrativos, tendo sua origem em 1985, quando um grupo de estudantes da Escola Normal de Ceilândia e mestrandos da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) iniciou uma experiência de alfabetização de adultos baseada na metodologia de Paulo Freire. A estrutura da entidade é composta por uma Assembleia Geral, uma Diretoria com cinco membros e um Conselho Fiscal, e seu patrimônio é formado por doações e contribuições, sem que os associados recebam remuneração. Para dar visibilidade ao seu trabalho, o CEPAFRE criou, a partir de 2013, um blog e, posteriormente, canais no YouTube, Facebook e Instagram, que servem como espaço de redes sociais que objetivam registrar sua história e suas ações.

Resultados do Trabalho

Desde sua fundação, o CEPAFRE contribuiu direta e indiretamente para a alfabetização de mais de 16 mil jovens, adultos e idosos trabalhadores, tendo atuado não apenas em Ceilândia, mas também em diversas cidades do Distrito Federal, como Samambaia, Santa Maria, Sobradinho e Recanto das Emas, além de levar formação de educadores para outros estados, como Goiás, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Maranhão, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, e até mesmo influenciado projetos em países como Angola, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. Sua atuação vai além da alfabetização, abrangendo a formação de educadores populares, o projeto Cinepopular, que utiliza o cinema como linguagem pedagógica, a participação no Grupo de Trabalho Pró-Alfabetização (GTPA/Fórum EJA-DF) e no Movimento Popular por uma Ceilândia Melhor (Mopocem), além de colaborações com programas de extensão da UnB e atuação na área da saúde, no Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Ciência e Tecnologia em Saúde, Campus UnB Ceilândia.

Reconhecimento do Trabalho

Ao longo de sua trajetória, o CEPAFRE recebeu diversos reconhecimentos, como o Prêmio Medalha Paulo Freire, do Ministério da Educação, em 2005; certificados de Honra ao Mérito do Governo do Distrito Federal em 2003, 2014 e 2018; e da Coordenação Regional de Ensino de Ceilândia em 2014, 2016 e 2018; além de homenagens da Câmara Legislativa do DF em 2021 e 2023 e da Universidade Católica de Brasília em 2023.

Dificuldades Encontradas

A entidade enfrentou grandes desafios financeiros ao longo dos anos, especialmente em períodos de redução ou suspensão de convênios com o MEC e o GDF, como ocorreu em 1998, 2007, 2008, 2017 e 2018, quando o Programa DF Alfabetizado foi abandonado, o que reduziu drasticamente o número de pessoas alfabetizadas e obrigou o CEPAFRE a buscar alternativas com parceiros como o Sinpro-DF, a Fundação Banco do Brasil, o Sicoob e o Instituto Unibanco.

Durante a pandemia de COVID-19, em 2020 e 2021, o CEPAFRE enfrentou desafios ainda maiores, pois não pôde realizar atividades presenciais e não dispunha de recursos para alfabetização virtual, dedicando-se, então, à arrecadação de cestas básicas para seu público carente, que sofreu com o desemprego e a fome. Apesar disso, a entidade adaptou-se ao formato virtual e híbrido, realizando lives de formação, sessões do Cinepopular Virtual e participando ativamente da Campanha Latino-Americana e Caribenha em Defesa do Legado de Paulo Freire e das comemorações do Centenário do educador, em 2021. Nesse ano, o CEPAFRE foi homenageado com a Moção de Louvor da CLDF, e sua logomarca foi registrada nas placas comemorativas instaladas no campus Darcy Ribeiro, da UnB.

Em 2022, o CEPAFRE ingressou no Conselho de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEB como conselheiro, tendo como representante Waldek Batista dos Santos; e, em 2023, com o apoio do professor Erlando da Silva Rêses, da UnB, retomou as atividades presenciais com cinco turmas de alfabetização em Ceilândia e Samambaia, realizando formação inicial e continuada de educadores e formando 73 concluintes. Em 2024, mesmo sem parcerias financeiras para custear as turmas, o CEPAFRE manteve seu trabalho com dedicação, focando na formação continuada de educadores e na busca ativa por novos alfabetizandos, reafirmando sua resiliência e seu compromisso com a educação popular. 

O projeto Cinepopular, desenvolvido a partir de 2003 e sistematizado pela educadora e Diretora de Projetos do CEPAFRE, Maria Madalena Tôrres, é um dos destaques de sua atuação, utilizando o cinema como ferramenta para estimular a escrita, a produção de textos e o debate sobre temas geradores e a linguagem do cinema, sempre fundamentado na obra de Paulo Freire, que já utilizava imagens e slides em seus Círculos de Cultura na década de 1960.

Em etapa posterior, no ano de 2024, a diretoria do Cepafre e a equipe pedagógica trabalharam incessantemente na elaboração de projetos para serem executados pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa. Em 2025, em parceria com a ArteCei Produções e por meio de emenda parlamentar do Deputado Chico Vigilante (PT), foi executado o projeto Linguagem do Cinema na Alfabetização de Jovens, Adultos e Idosos em Ceilândia e adjacências, com quatro turmas de até 25 alfabetizandos. Os educandos, além de serem alfabetizados pela metodologia freiriana, participavam de cine-debates, participavam de um processo de inclusão digital por meio do uso de tablets e celulares, além da produção de um curta-metragem.

Nesta etapa, foi executado também o projeto Círculos de Cultura: Cine Popular e Alfabetização de Jovens, Adultos e Idosos, com quatro turmas em Ceilândia e no Sol Nascente, em parceria com a Casa de Cultura Telar, de Sobradinho, por meio de emenda parlamentar do Deputado Gabriel Magno (PT), ampliando o trabalho com a linguagem do cinema e do audiovisual.

Conquista da Sede Própria

O ano de 2025 foi marcado por grandes desafios e conquistas para a entidade. Graças ao trabalho coletivo, diversos projetos e ações foram realizados. Como sempre ensina Madalena Tôrres, “o movimento popular e a educação popular são fruto do trabalho de muitas mãos”. O ano foi coroado com uma conquista há muito almejada pelo Cepafre: a sede própria. Essa vitória também é resultado da ação coletiva que sempre foi defendida pela instituição.

Essa luta intensificou-se nos últimos anos, motivada pela possibilidade de cessão de imóveis da União para entidades populares, alternativa sugerida pela professora Maria Luíza Pinho Pereira para que a diretoria da entidade encaminhasse.

Movidos por essa informação e por esse desejo, a diretoria anterior, representada pelo presidente Waldek Batista e por Maria Madalena Torres, reuniu-se no dia 27 de março de 2024 e, em outra oportunidade, com o Superintendente do Patrimônio da União no Distrito Federal, Roberto Policarpo, para verificar a disponibilidade de algum imóvel da União em Ceilândia que pudesse abrigar a sede do Cepafre. Na ocasião, foi informado que não havia espaços nessa cidade, mas foi sugerido que a equipe procurasse a Terracap para identificar um terreno e, a partir daí, iniciar uma negociação.

A persistência continuou em 2025, com outras duas reuniões. No dia 13 de novembro, o atual presidente Pedro Lacerda e Madalena Tôrres reuniram-se novamente com Roberto Policarpo e com Arides Lima. A resposta manteve-se a mesma, e o foco passou a ser o mapeamento de espaços públicos em Ceilândia que atendessem aos requisitos da entidade.

Após diversas tratativas, surgiu uma oportunidade promissora: o imóvel que abrigava o antigo Cartório da 16ª Zona Eleitoral. Foram seguidos rigorosamente todos os trâmites exigidos pela Superintendência do Patrimônio da União (SPU) e, no último dia de 2025, essa vitória foi celebrada com a assinatura do Contrato de Cessão de Uso Gratuito nº 0104.DF.000079/2025.



Atualidade

Em 2026, o Cepafre está realizando parceria com a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) no Curso de Extensão do Projeto LER (Letramento, Educação Popular e Rede Social), com recursos do Ministério da Educação (Secadi/MEC), visando promover letramentos, educação popular e uso de redes sociais na EJA. Dessa maneira, nos dias 14, 15 e 16 de agosto, o grupo de educadores dos perfis 1 e 2, coordenadores, supervisor e representante da diretoria participaram de uma imersão no referido Curso de Formação, objetivando a formação de onze turmas de alfabetização de jovens e adultos do Projeto LER em Ceilândia. Neste curso, participaram também os educadores, supervisores e diretores do Cedep/Paranoá e do Movimento de Educação de Base (MEB).

O Cepafre desenvolve o Cursinho Popular Paulo Freire (ComFreire) com mais de 40 alunos matriculados, em parceria com o MEC; participa do Grupo de Trabalho Pró-Alfabetização (GTPA/Fórum EJA-DF); do Movimento Popular por uma Ceilândia Melhor (Mopocem/AGEPOP/SUS); do PodCei; e integra os programas de Extensão da UnB: Formação de Educadores e Pós-populares: Democratização do acesso à Universidade Pública pelo chão da pesquisa, Formancipa (cursinho Pré-Vestibular) e Curso de Formação de Educadores(as) e Alfabetizadores(as) de Pessoas Jovens, Adultas e Idosas Trabalhadoras, ambos coordenados pelo Prof. Erlando da Silva Rêses (FE/UnB); participa do Centro de Memória Viva (CMV), coordenado pela Profª Eliene Novaes, bem como orienta cinco estagiários da Universidade Católica de Brasília (UCB); oferta o Programa Mala do Livro em parceria com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec), com foco na formação de leitores.

Considerações Finais

Em resumo, o CEPAFRE tem uma história de organização que, com poucos recursos e muito voluntarismo, tornou-se uma referência na educação popular e na alfabetização de jovens e adultos no Distrito Federal, mantendo uma forte parceria com a UnB e uma fidelidade ao legado de Paulo Freire, ao mesmo tempo que enfrentou crises políticas e financeiras, adaptou-se às mudanças tecnológicas e sanitárias e nunca deixou de lutar por uma educação libertadora e por políticas públicas para a EJA, demonstrando que a educação popular é um instrumento essencial de transformação social e de exercício da cidadania.

A quem deseja colaborar com os projetos realizados pelo Cepafre, apresentamos, abaixo, os dados bancários da entidade:

Banco de Brasília (BRB)                                                                                                                    Banco: 070 
Agência: 161 
Conta Corrente: 600.027-6 
Chave PIX: 02.560.423/0001-91