Na noite de 08/05/26(sexta-feira), a formação de alfabetizadores(as) do CEPAFRE teve início pontualmente às 19h30, na sede do Cepafre, no Setor O, em Ceilândia. O encontro começou com um lanche e foi marcado por um clima de acolhimento, troca de experiências e apresentação das novas participantes.
Estavam presentes: Regiane, Patrícia, Jane e, também, as veteranas Ana Clara, Goete, Valmir, Adriana, Marilda, Ana Luiza, Ana Lígia, Milena, Paulo Roberto, Glória, Madalena e Regina Célia. A sala estava cheia, e a energia era muito positiva.
Para abrir os trabalhos teóricos, o companheiro Paulo Roberto assumiu a palavra e iniciou a leitura da página 44 do caderno Alfabetizar é Libertar. O tema central era a integração das noções matemáticas com as palavras geradoras, destacando a importância da palavra-chave como ponte entre o universo do alfabetizando e o conhecimento sistematizado.
Nesse momento, Madalena, sempre atenta e propositiva, trouxe contribuições práticas e valiosas. Ela sugeriu que os alfabetizandos tragam comprovantes de compras do dia a dia como materiais de estudo. Para ilustrar a proposta, apresentou um folheto de supermercado com preços e ofertas atuais. A ideia, explicou, é utilizar esses materiais simples para identificar palavras, reconhecer valores numéricos, comparar preços e, assim, aprofundar o conhecimento dos educandos. Dessa forma, cada pessoa pode visualizar o conteúdo a partir de sua própria realidade e construir, gradualmente, uma compreensão matemática significativa.
Dando continuidade, Ana Luiza assumiu a leitura a partir do último parágrafo da página 44, avançando até a página 45, onde nos aprofundamos na leitura, escrita e interpretação de textos. Foi um momento de grande atenção, pois a discussão se voltou para um elemento simples, mas extremamente poderoso: o bilhete.
Madalena destacou que a produção e a leitura de bilhetes exigem atenção aos detalhes, para que emissor e receptor compreendam plenamente a mensagem escrita. Não basta apenas juntar letras; é preciso haver sentido, intenção e clareza. Em seguida, Goete apresentou alguns bilhetes produzidos pelos próprios alfabetizandos no Círculo de Cultura, servindo como exemplos concretos das possibilidades pedagógicas.
A criatividade também foi um ponto fortemente enfatizado por Madalena. Ela incentivou todos os alfabetizadores a serem criativos na elaboração de textos curtos, dinâmicos e interessantes. Como sugestão prática, indicou a busca por cards informativos em postos de saúde. Esses materiais, geralmente objetivos e acompanhados de ilustrações, são excelentes recursos para estimular a leitura e trabalhar a pontuação de forma contextualizada.
Para finalizar sua fala, Madalena fez uma analogia marcante: “Os alfabetizadores devem ser garimpeiros.” Assim como o garimpeiro busca incansavelmente por pepitas de ouro, nós também devemos buscar constantemente os melhores caminhos, materiais e palavras para auxiliar cada alfabetizando em seu processo de aprendizagem. Trata-se de uma busca paciente, dedicada e que exige sensibilidade e olhar atento.
O encontro foi encaminhado para sua etapa final com a formação dos grupos de trabalho, momento em que as ideias começaram a ganhar forma e os planejamentos para os próximos encontros, a serem desenvolvidos com os alfabetizandos, foram organizados.
Assim, entre leituras compartilhadas, folhetos de mercado, recados, bilhetes e cartas criativas, seguimos firmes no processo de alfabetizar libertando, sempre partindo da realidade e valorizando o saber de cada pessoa, na construção coletiva do conhecimento.
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